Momento num café

9 de Novembro de 2008 @ 19:16 por Helio Ciffoni

Escuto Manuel Bandeira na voz de Juca de Oliveira (Coleção Poesia Falada Vol.18, ISBN 85-87055-37-2), “Momento num café”.
Tarde de domingo em Tóquio, outono com cara de outono que começou a mostrar seu jeito só nesta semana, tardio como confuso é o tempo no mundo todo, primavera atrasada, verão adiantado em tempo de aquecimento global descontrolado.
O “Momento num café” lembra-me dos cafés desta cidade cheia de opções, de suas cadeias de Doutor Café, Tully’s, Starbucks, Excelsior, Caffe Veloce, Segafreddo onde se encontram ou se isolam japoneses e estrangeiros, onde mulheres se encontram às 4 da tarde para o riso conjunto e os cafés gelados, os mochas e os machiatto. Cafés que servem de sala de reuniões nos prédios onde pequenos escritórios de grandes multinacionais estão instalados, cafés que acolhem os que fazem hora antes da hora de subir ao escritório, chegando adiantados à vizinhança do trabalho para fugir das latas de sardinhas que são os trens da hora de pico.
Correm os japoneses para os cafés quando voltam do almoço nas imediações do trabalho, de onde saem os americanos com seus copos do Starbucks na mão, como em qualquer filme que se passa em Nova Iorque.
Café hoje à escolha: Guatemala, Panamá, Quênia, Jamaica… Todos correndo atrás do Café da Colômbia, anunciado pelas paredes. Toma-se café de qualidade no Japão, não apenas nas cafeterias mas a liberdade de escolha para fazer em casa, levar em grãos ou já moído, pedir o blend preferido. As cafeterias oferecem ainda as máquinas pra fazer café, individuais ou em dupla, elétricas ou para aquecer no fogão.
Café continua sendo muito consumido no Japão e por aqui passam todos os candidatos a fazer de seu café um objeto de desejo do Japão, tanto que em outubro, na Feira do Café (SCAJ 2008) os produtores brasileiros em um grande stand ofereciam seus bourbons, arábicas e o que mais, ao lado do stand de um consórcio de países africanos, à frente dos colombianos, perto dos mexicanos, enfim, o mundo todo tentando vender para os japoneses.
O “Momento num café”, do Manuel Bandeira, lembra-me do Fukushima, um japonês que conheci por aqui e que é aluno de doutorado em Tóquio; sua área de pesquisa? Poesia Moderna Brasileira. Vou aproveitar e mandar pra ele esse Bandeira em CD, junto com o Leminski que tenho aqui.
Viva o café, viva o Fukushima!!

Passeio por Cingapura

14 de Agosto de 2008 @ 19:56 por Helio Ciffoni

Cingapura, Singapura, Singapore… Um dos Tigres Asiáticos, Cingapura tem 4,5 milhões de habitantes e um PIB per capita de US$ 34 mil dólares e o porto que movimenta o maior volume de conteiners por ano, Cingapura é o 4o. maior parceiro comercial do Brasil na Ásia.
Passei por Cingapura para apresentar um trabalho em em um congresso, ISEA2008 e para conhecer a cidade, museus e centros comerciais, os três dias no começo de agosto foi um período suficiente.
Edifícios modernos, alguns entre os mais bonitos da Ásia, ao lado de antigos e bem conservados edifícios do período de ocupação britânica. Avenidas largas, trânsito organizado e transporte coletivo muito bem servido, com linhas de metrô e ônibus, táxis em número suficiente e de preço relativamente baixo. Como o inglês também é um dos idiomas oficiais, é um dos poucos destinos da Ásia em que não há necessidade de se conhecer o idioma local para poder se locomover, se alimentar, pedir orientação.
Para informações sobre o Brasil em Cingapura, visite o site da Embaixada: http://www.brazil.org.sg/cms/
Para dados sobre as relações comerciais de Brasil e Cingapura: http://www.braziltradenet.gov.br/ARQUIVOS/IndicadoresEconomicos/INDCingapura.pdf

A Cingapura misteriosa do início do Século XX ainda pode ser observada no Raffles Hotel, que tem uma suíte com o nome de Somerset Maughan, e como diz a lenda, costumava sentar sob uma árvore no quintal para escrever contos, baseados em fofocas que ouvia pelos corredores. Rudyard Kipling também é homenageado em outra suíte e, em sua volta ao mundo de 1899 Kipling escreveu que, quando em Cingapura, o visitante deve hospedar-se no Hotel de L’Europe e fazer suas refeições no Raffles porque neste a comida é tão boa quanto a cama é ruim.

Pearl Hill - Singapore 2008 Pearl Hill Park Museu nacional - Singapore 2008 007 Singapore 2008 071 - Singapore 2008 071 Hotel Raffles - Singapore 2008 045 Singapore Bay - Navios ao largo

ISEA2008 Singapore

28 de Julho de 2008 @ 12:00 por Helio Ciffoni

Este ano o ISEA (International Symposium on Electronic Art) foi realizado em Cingapura, de 25 de julho a 3 de agosto. Com mais de 800 participantes de todo o mundo, o Simpósio teve como temas neste ano Wikiwiki, Locating Media, Ludic Interfaces, Reality Jam e Border Transmissions. De acordo com a organização do ISEA2008, os temas foram escolhidos para responder aos desafios para que as novas e antigas tecnologias, engajando-se de forma criativa, consigam resolver os problemas de nosso cotidiano. E dessa forma as apresentações e papers aceitos mostraram uma realidade possível, utilizando-se Arte e Tecnologia para oferecer respostas aos desafios de nossa era, como a expansão urbana, a preservação do ambiente, a divulgação e o acesso às informações, o ensino e a preservação da memória.
Cingapura, por si, já é uma grande atração. Um pedaço de terra em local estratégico que permitiu a criação de um entreposto de comércio único e que hoje abriga o maior porto do mundo em volume de movimentação de mercadorias. Além disso, a cidade cresce a cada dia, com edifícios modernos, universidades muito bem instaladas e um grande centro financeiro que rivaliza com Hong Kong, Xangai e Tóquio, como os principais da Ásia-Pacífico.
Voltando ao ISEA2008, os diversos centros de discussão abrigaram trabalhos de vanguarda, unindo Arte e Tecnologia aplicados ao dia a dia, dispersos em salas das universidades SMU (Singapore Management University), NSU (National Singapore University) e NTU (Nanyang Technological University). Os espaços disponíveis, com todas as facilidades tecnológicas, limpeza e conforto tornaram ainda mais agradável a convivência com pesquisadores ligados ao simpósio.
Entre os trabalhos apresentados, aproximadamente dez o foram por pesquisadores brasileiros, sem dúvida os que tiveram que cobrir um número maior de quilômetros para chegar até Cingapura.
O trabalho que apresentamos, From sketches to scenes: how to develop games, participou da sessão reservada ao desenvolvimento de jogos, com mais cinco trabalhos de outros países (Austrália, Reino Unido e dois dos Estados Unidos). Um dos trabalhos americanos foi adquirido pelo governo dos Estados Unidos e adaptado para treinamento pelo departamento de assuntos de fronteira.
Agora é trabalhar e esperar o ISEA2009, com o tema central “Engaged Creativity in Mobile Environments”, que será realizado de 23 de agosto a 1 de setembro de 2009, em Belfast, na Irlanda do Norte. Maiores informações em www.isea2009.org.

NTU Area de lazer - Espaço para lazer entre os edifícios da universidade NTU - Edificio Simposio - Espaço para as palestras no ISEA2008 Singapore 2008 005 - Espaço na Nanyang Tech University

Linha Internacional da Data

28 de Junho de 2008 @ 22:34 por Helio Ciffoni

Quando viajo para o Japão ou retorno ao Brasil via Estados Unidos, um dos marcos da viagem é cruzar a Linha Internacional da Data. Por definição do Congresso Internacional em Washington (EUA), em 1884, o Dia Universal foi estabelecido como único e começando à Hora Zero em Greenwhich. A partir daí, 24 diferentes fusos horários foram estabelecidos, cada um com 15o de longitude. A 180o (na metade da esfera terrestre) a partir do Meridiano de Greenwhich estabeleceu-se a Linha Internacional da Data. Nas localidades ao longo desta linha o calendário move-se um dia, de acordo com a hora local, à Hora Zero de cada dia.
Para que em um mesmo país se evite que existam dois dias diferentes, a Linha Internacional da Data sofre desvios, de tal forma que passe apenas onde não exista superfície, portanto ela sempre passa pelas águas do Oceano Pacífico. Como os países são livres para estabelecer seus fusos horários, alguns dos estados independentes em pequenas ilhas do Pacífico fazem com que a Linha passe antes por eles, o que proporciona dividendos na passagem do ano, como por exemplo “o lugar no planeta em que o ano começa antes”. Claro que o fuso horário deve ser compatível com as definições do Meridiano de Greenwich mas os ajustes dentro dos 15o de longitude proporcionam bons resultados.
Partindo do Polo Norte e indo ao Polo Sul, a Linha Internacional da Data mostra algusn zigue-zagues para evitar a separação de países em datas diferentes, o que já acontece bem no início, ao Norte: a Linha cruza o Estreito de Bering pelo mar, para evitar que a Sibéria fique em duas datas distintas. Em Kiribati, ilhas do Pacífico próximas ao Equador, a quebra da linha é notável para poder acomodar todas as ilhas do arquipélago em um só fuso horário. Isso faz com que os arquipélagos do Hawaii e Kiribati, relativamente próximos (em torno de 1.500 km) estejam cada um em um dia diferente, o que permite que o sujeito saia para beber no sábado e resolva beber nos dois sábados, cada um em uma ilha.
Portanto, quando estamos viajando de Japão para os Estados Unidos, ao cruzar a Linha Internacional da Data ganhamos um dia e, aconteceu uma vez comigo a bordo, um comandante de avião engraçadinho anunciou a passagem da Linha e disse que, para quem tivesse cometido alguma besteira no dia anterior, poderia apagar e recomeçar na mesma data de calendário. É a Linha Internacional da Data que nos permite sair de Tóquio ao final da tarde de determinado dia e chegar em Los Angeles na mesma data mas ainda no horário de almoço.
Umberto Eco, o escritor italiano, usou esse assunto em “A ilha do dia anterior”, Rio de Janeiro: Record, 1995 tratando do “paradoxo da circunavegação”:
“Meia-noite de sexta-feira, aqui no navio, é meia-noite de quinta-feira na ilha. Se da América para a Ásia viajas, perdes um dia; se, no sentido contrário viajas, ganhas um dia: eis o motivo por que o Daphne percorreu o caminho da Ásia, e vós, estúpidos, o caminho da América. Tu és agora um dia mais velho do que eu! Não é engraçado?”
Outras linhas imaginárias interessantes são a Linha do Equador e as dos Trópicos, facilmente identificáveis nos mapas de bordo dos aviões, com a ajuda do sistema de navegação que aparece nos assentos individuais dos passageiros, com mapa e horas oficiais dos locais de partida e chegada.
Abaixo, imagem de representação da Linha Internacional da Data (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:International_Date_Line.png)

Para mais informações, consultem os seguintes endereços na internet:

Meridiano de Greenwhich: http://wwp.greenwichmeridian.com/date-line.htm
Ciência e Saúde: http://www.cienciaesaude.com.br/convencoes/linhaintdata.htm

205px International Date Line - 205px International Date Line

A380, de Tóquio a Cingapura

21 de Maio de 2008 @ 17:35 por Helio Ciffoni

O gigante da Airbus, o A380, fez seu primeiro vôo comercial saindo de Tóquio, neste 20 de maio de 2008. Partindo do Aeroporto Internacional de Narita, rumo a Cingapura, o avião da Singapore Airlines deixou boquiabertos aqueles que acompanharam as manobras de perto.
Em outubro de 2007 a Singapore Airlines inaugurou seu primeiro A380 em um vôo entre Cingapura e Sydney, na Austrália, em evento marcado pelo leilão das passagens aéreas em beneficio de obras de caridade. Naquele primeiro vôo, as passagens foram arrematados por valores que ficaram entre US$ 560 e US$ 100 mil e finalmente revelou ao mundo o avião que pode carregar aproximadamente 800 passageiros.
Na configuração utilizada pela Singapore, 471 passageiros podem viajar de forma muito confortáveis, em 3 classes: a New Economy Class, a New Business Class e a New Singapore Airlines Suites.
Para quem já voou no A380, a sensação de conforto não é maior do que as Business Class ou a classe econômica de outros vôos mas a “Suites” oferece privacidade nunca vista em vôos comerciais. O comentário de quem já usou a New Business é de que acaba sendo frustrante já que compartilha-se o espaço com mais 60 pessoas, portanto uma área executiva mais barulhenta e movimentada. Para observar a diferença entre as categorias, a Singapore Airlines tem uma “experiência virtual” em seu web site.
A Econômica tem como novidade as portas USB em todos os assentos e as telas de vídeo são maiores, com mais entretenimento para os longos vôos que acontecem aqui pela Ásia.
Para quem espera encontrar bar e academia de ginástica ou chuveiros e cafeteria, conforme anúncios publicitários, será uma decepção grande.
Eu tentei reservar o A380 saindo de Tóquio para Cingapura no final de julho, tinha lugar disponível mas o preço é 30% maior que o mesmo trecho pela United Airlines, com o 777. Fica para uma outra oportunidade.

A380 - A380 em voo Suites - New Singapore Airlines Suites

China, 20 anos depois

30 de Abril de 2008 @ 23:55 por Helio Ciffoni

Retornei hoje de Xangai, com essa grafia antiga da Língua Portuguesa que lembra cinemas poeirentos e filmes de aventura. A Shanghai (como aparece em inglês nos noticiários) de hoje é uma cidade completamente distinta daquela que conheci há exatos 20 anos, em abril de 1988.
Da primeira vez, visitei como turista no retorno de meu período como bolsista da JICA em Okinawa; comprei um visto que me permitia locomoção dentro do país independentemente de agências turísticas ou guias oficiais, como era comum na época.
Na década de 80 os brasileiros que lá estiveram e publicaram em livros as suas impressões deixavam transparecer que se moviam com um intérprete oficial e visitavam locais previamente autorizados. Pelas mãos de um agente de viagens japonês eu consegui na época uma autorização para andar sozinho e ficar em hotéis que não eram reservados para turistas. Grande aventura em aviões perigosos, trens super lotados, barcos e táxis disputadissimos, além dos antigos ônibus que lembravam os tróleis de São Paulo. Enfim, aventura gravada em mais de uma centena de fotos, trinta delas expostas no Skina Bar, em Curitiba, em agosto de 88.
Xangai, novamente em português, está em construção preparando-se par a exposição mundial, Shanghai 2010. A infra-estrutur está sendo adequada com novas linhas de metrô e obras espetaculares à beira do Rio Huangpu, na região da Bund, onde se localiza o centro histórico e que hoje é uma enorme área de entretenimento.
Os edifícios na área de Pudong, imagens que circulam o mundo pelo arrojo e somados à espetacular torre de comunicações fazem desse passeio uma aventura inesquecível, principalmente se você estiver a bordo de um táxi com um típico motorista xangainês: mão na buzina, fechado na cabine de acrílico reservada, o que dificulta o contato com os passageiros. O trânsito é o mais atabalhoado possível, com quase nenhum respeito aos milhares de pedestres que cruzam as faixas. O mais incrível é que em cinco dias não vi nenhum acidente no caótico desenrolar-se de alta velocidade, u-turns e parada em qualquer lugar para desembarcar passageiros.
Fui à Xangai para discutir negócios na área de tecnologia da informação e para visitar um novo centro de moda e design, que deverá ser inaugurado em outubro e é apropriado para as empresas estrangeiras que querem enxergar a China tanto como “fábrica” como “mercado”. Não dá para desprezar esse mercado de economia ascendente e classe consumidora emergente. Aliás, o contraste entre ricos e pobres se acentua, completamente diferente da China que conheci no passado. Com o terninho azul trocado pelas roupas de grife, falsificadas ou não, o chinês das grandes cidades é mais um cidadão global no vestir, beber e fumar. Claro, algumas restrições no acesso à informação mas tudo caminha para uma abertura ainda maior depois das Olimpíadas de Pequim e da Feira Mundial, em 2010.
Ver a China como mercado pode ser uma boa estratégia já que os ganhos aumentam e portanto a China-fábrica logo terá seus custos ampliados.

Um ano de Blog

22 de Março de 2008 @ 07:46 por Helio Ciffoni

Neste mês de março completei um ano de experiência como blogueiro e confesso que me surpreendi, de forma bastante positiva, com os resultados. Embora tenha ficado sem escrever aqui nos últimos 30 dias, o ano todo rendeu 126 artigos e 5 páginas (estas com temas mais aprofundados e específicos), além da publicação de 165 comentários.
Em relação aos comentários, os publicados significam em torno de 50% apenas dos enviados pois há uma grande tendência para utilização do blog com temas que nada tem a ver com o objetivo principal. Aparecem anúncios de remédios, venda de imóveis, oferta de parceria e publicidade em geral, além de internautas com pouca educação na sua forma de se expressar. Os comentários, filtrados um a um geram um trabalho adicional e isso significa que leio todos os que chegam e para todos aqueles publicados eu respondo, normalmente de forma pessoal, através do endereço eletrônico do remetente.
Alguns antigos conhecidos apareceram por aqui, alguns novos apareceram por indicação de outros amigos e muita gente apenas “tropeçou” em alguma coisa no blog, deixou seu comentário ou pedido e ajudei alguns, como as informações que pesquisei sobre “pequenos apartamentos no Japão”, sobre a indústria de cigarros e alimentos saudáveis.
Estou no Brasil desde 20 de fevereiro e como o blog é “… de Tóquio”, talvez essa pudesse ser a explicação para tão longo silêncio. Os motivos foram outros: nestes 30 dias viajei muito pelo Brasil e pelo sul do continente, indo ao Uruguai algumas vezes, em serviço relacionado com a Tecnologia da Informação.
Minhas viagens a São Paulo, no último mês, foram todas relacionadas com os eventos que acontecem neste “Ano do Intercâmbio” e muitas missões comerciais brasileiras ao Japão irão acontecer, com algumas contando com minha participação e apoio em Tóquio.
Retorno a Tóquio na próxima semana, 28 de março; uma das primeiras atividades é auxiliar as empresas brasileiras que participarão da Missão da FIESP no mês de abril (clique aqui para mais informações).
Agora, recomeço a série de artigos sobre a minha relação Brasil-Japão, agradecendo às quase 15 mil visitas que recebi no período.

A Maratona na minha janela

17 de Fevereiro de 2008 @ 00:55 por Helio Ciffoni

Amanhã acontece a esperada versão da prova da maratona, a Tokyo Marathon 2008. E a grande coincidência: Tóquio é uma cidade muito grande mas a corrida passa pela minha rua!!! Da janela do décimo-primeiro andar estou de frente para a avenida e lá embaixo, toda a movimentação.
Esta é a altura dos 32 km e os heróis vào passar por aqui antes de cruzar o Sumidagawa rumo à ilha de Toyos para romper a faixa de chegada no Big Sight. Nesta semana, todos os dias foram movimentados por aqui, com as redes de televisão aprontando seus postos avançados para acompanhar de perto o público e os corredores. Faixas e bandeirolas pela avenida, cartazes nas lojas próximas.
São esperados 25 mil corredores e o prazo máximo para que atinjam o ponto de chegada é de 6 horas e 40 minutos. Espera-se um frio de 5 graus C nessa época do ano, além do vento cortante que tem feito por aqui.
Vamos aguardar a largada, que acontece na Prefeitura de Tóquio, em frente ao maravilhoso conjunto de edifícios projetado por Kenzo Tange.
Para ver o roteiro, acesse http://www.tokyo42195.org/index_en.html

Ano do Intercâmbio Brasil Japão

6 de Fevereiro de 2008 @ 12:19 por Helio Ciffoni

Palácio Itamaraty, em Brasília. 17 de janeiro de 2008. Lançamento oficial das comemorações do tão esperado ano do centenário da imigração de japoneses ao Brasil. Momento histórico, carregado de emoção em cada um dos discursos; sentia-se da platéia o coração de cada um, lá no púlpito, bater forte, talvez como avant première da apresentação de taiko no andar superior, alguns minutos depois.
Falando com toda a emoção de imigrante que veio para ficar, o presidente da Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, Kokei Uehara, lembrou-se até da marca da enxada que usava na roça, descreveu a sua rotina de garoto indo à escola, descalço, parando para lavar os pés em um riacho antes de entra na sala de aula. Enalteceu os professores brasileiros que teve, desde o grupo escolar no interior até os professores na Escola Politécnica da USP. Depois dele e em uma seqüencia de depoimentos pessoais emocionados, fora do protocolo, o Embaixador Celso Amorim citou cenas finais do filme Gaijin, de Tizuka Yamazaki, obra realizada durante sua gestão na Embrafilmes. Ao final da cerimônia, o “pai da Turma da Mônica”, Maurício de Souza, apresentou seu novo personagem, mascote do Centenário da Imigração e, no mais emocionado dos discursos, interrompido pelas lágrimas, contou que o personagem, mestiço, acabou saindo com a cara de seu filho, mais um fruto da integração.
Com cerca de 350 pessoas, muitos vindos diretamente do Japão para o evento, a cerimônia foi também um local de reencontros pois por lá estavam muitos dos diplomatas que serviram na Embaixada do Brasil, em Tóquio, nos anos recentes como o Ministro José Mauro Couto, o Conselheiro Sérgio Barreiros e os Secretários Claudia Vieira e Marco Antonio Nakata. Na área empresarial, as câmaras de comércio Brasil-Japão, espalhadas pelo país, lá estavam representadas por Antonio Ueno (Paraná), Yoshio Kamizono (Pará), além de empresários japoneses e brasileiros, como Chieko Aoki (Blue Tree Hotels). Entre os japoneses, reencontrei o Prof. Kotaro Horisaka, da Universidade Sophia e o jornalista Masami Wada, do Nikkei Business.
A expectativa é muito grande para o Ano do Intercâmbio, com todas as atividades programadas nos mais diversos campos de atuação. Exposições de arte, eventos musicais, encontros de negócios e todo o tipo de inaugurações e comemorações irão acontecer nos dois lados do planeta. Espera-se um aumento significativo no comércio bilateral-lateral e nos investimentos em tecnologia e cultura; aproveitar o momento e não ficar só nas comemorações.

Nikko, Patrimônio Cultural da Humanidade

5 de Janeiro de 2008 @ 00:07 por Helio Ciffoni

Nikko, na Província de Tochigi, está situada a 250 km de Tóquio e, por via férrea, pode ser alcançada em 1 hora e meia de viagem. Para quem está em Tóquio e tem um dia disponível, Nikko é um passeio que vale a pena.
A atração principal de Nikko é o parque que congrega dois templos xintoístas (Futarasan e Toshogu) e um templo budista (Rinnoji), listados pela UNESCO em 1999 como Patrimônio Cultural da Humanidade. Além do aspecto cultural, Nikko é famosa também pelas fontes termais (onsen), pelas montanhas e cedros e pela infraestrutura para a prática de esportes de inverno.
A integração dos templos com a natureza, já que estão ao pé das montanhas e em bosques de cedros, dá uma dimensão da escolha do local, no Séc VIII, pelo Superior xintoísta Shodo. O local foi definido para se prestar homenagem às três montanhas sagradas de Nikko e nele edificado o templo xintoísta Futarasan.
No Séc. XVII, o Templo Toshogu foi edificado como mausoléu do Shogun Ieyasu Tokugawa e Nikko tem a sua história fortemente ligada à clã Tokugawa. Na entrada do templo, a porta (Yomei Mon), é considerada a mais bonita e trabalhada do Japão, com cerca de 400 entalhes na madeira. Ainda em Toshogu, encontra-se a famosa imagem dos três macacos sábios, esculpida na construção denominada de Estábulo Sagrado e reproduzida mundo afora. “Não falar o mal, não ouvir o mal, não ver o mal”.
O templo budista Rinnoji é conhecido pelas três grandes figuras de Buda e fica circundado por um belo jardim.
Para quem vem ao Japão como turista utilizando o Rail Pass da JR, vale a pena pegar o shinkansen em Tóquio e descer em Utsunomiya, fazendo conexão com a Linha Nikko, mais 45 minutos de viagem, a maior parte cruzando bosques de cedros. Se não tiver o passe, a melhor pedida é pegar a Linha Tobu em Shinjuku, sai bem mais barato que o shinkansen. De carro, a “Romantic Road” é uma boa atração e sai de Ueda (Província de Nagano) e vai até Utsunomiya, passando por Nikko (Província de Tochigi).

Nikko 062 - Montanhas de Nikko Nikko 044 - Três Macacos Sábios

Nikko 046 - Yomeimon Nikko 047 - Shogun Tokugawa Nikko 050 - Templo Toshogu