Momento num café
9 de Novembro de 2008 @ 19:16 por Helio CiffoniEscuto Manuel Bandeira na voz de Juca de Oliveira (Coleção Poesia Falada Vol.18, ISBN 85-87055-37-2), “Momento num café”.
Tarde de domingo em Tóquio, outono com cara de outono que começou a mostrar seu jeito só nesta semana, tardio como confuso é o tempo no mundo todo, primavera atrasada, verão adiantado em tempo de aquecimento global descontrolado.
O “Momento num café” lembra-me dos cafés desta cidade cheia de opções, de suas cadeias de Doutor Café, Tully’s, Starbucks, Excelsior, Caffe Veloce, Segafreddo onde se encontram ou se isolam japoneses e estrangeiros, onde mulheres se encontram às 4 da tarde para o riso conjunto e os cafés gelados, os mochas e os machiatto. Cafés que servem de sala de reuniões nos prédios onde pequenos escritórios de grandes multinacionais estão instalados, cafés que acolhem os que fazem hora antes da hora de subir ao escritório, chegando adiantados à vizinhança do trabalho para fugir das latas de sardinhas que são os trens da hora de pico.
Correm os japoneses para os cafés quando voltam do almoço nas imediações do trabalho, de onde saem os americanos com seus copos do Starbucks na mão, como em qualquer filme que se passa em Nova Iorque.
Café hoje à escolha: Guatemala, Panamá, Quênia, Jamaica… Todos correndo atrás do Café da Colômbia, anunciado pelas paredes. Toma-se café de qualidade no Japão, não apenas nas cafeterias mas a liberdade de escolha para fazer em casa, levar em grãos ou já moído, pedir o blend preferido. As cafeterias oferecem ainda as máquinas pra fazer café, individuais ou em dupla, elétricas ou para aquecer no fogão.
Café continua sendo muito consumido no Japão e por aqui passam todos os candidatos a fazer de seu café um objeto de desejo do Japão, tanto que em outubro, na Feira do Café (SCAJ 2008) os produtores brasileiros em um grande stand ofereciam seus bourbons, arábicas e o que mais, ao lado do stand de um consórcio de países africanos, à frente dos colombianos, perto dos mexicanos, enfim, o mundo todo tentando vender para os japoneses.
O “Momento num café”, do Manuel Bandeira, lembra-me do Fukushima, um japonês que conheci por aqui e que é aluno de doutorado em Tóquio; sua área de pesquisa? Poesia Moderna Brasileira. Vou aproveitar e mandar pra ele esse Bandeira em CD, junto com o Leminski que tenho aqui.
Viva o café, viva o Fukushima!!